Curso de Astronomia a distância

Por Cristina Salvadeo em 9 de outubro de 2009
Um curso oferecido a distância com o objetivo de capacitar os professores da rede pública de ensino fundamental e médio para lecionarem Astronomia. Esta será uma das primeiras iniciativas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Astrofísica. A estimativa é que 15 mil professores sejam capacitados a cada ano. A meta é atingir, em 10 anos, cerca de 150 mil docentes em todo o Brasil.
O INCT de Astrofísica é um projeto que envolve 144 pesquisadores, de 27 instituições nacionais, de 9 estados brasileiros, coordenado pelo professor João Evangelista Steiner, com vice-coordenação da professora Beatriz Barbuy, ambos do IAG. O INCT de Astrofísica faz parte de uma iniciativa do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com a pesquisadora Elysandra Figueredo, do IAG, estimativas apontam que existem no Brasil cerca de 300 mil docentes na área de Ciências. Destes, apenas 15 % têm licenciatura em Física, área em que atuam. Entretanto, a maior parte das faculdades de Física não oferecem Astronomia na grade curricular, fazendo com que professores que não dominem conceitos ligados a esta área acabem tendo de ensinar a disciplina, como os formados em Geografia e Química, por exemplo. “Mas como ensinar algo que não se conhece? A formação que o professor recebe não o capacita de maneira adequada para que ele ensine Astronomia em sala de aula. Então o curso a distância elaborado pelo INCT de Astrofísica tem o objetivo de capacitar o professor para que ele domine alguns conceitos que deverão ser ensinados aos alunos”, explica.

A pesquisadora conta que o curso faz parte de um dos cinco objetivos estratégicos do INCT de Astrofísica: que é o de criar uma linha de ação voltada para a disseminação de conceitos básicos de Astronomia no âmbito escolar. “Um professor da rede pública tem uma média de 50 alunos em sala de aula, então ele multiplica conhecimento. Nossa ideia é disseminar conceitos de Astronomia por meio da capacitação de professores” aponta Elysandra. “Este curso pode ser considerado como um retorno que estamos dando para a sociedade, afinal é ela quem custeia as universidades públicas”, completa.

O curso
Elysandra, que atualmente é pesquisadora pós-doc do IAG, em conjunto com outros cinco pesquisadores das universidades participantes, está trabalhando no conteúdo programático do curso, que será todo baseado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Em novembro, esses pesquisadores irão apresentar um projeto final para o Comitê Científico do INCT de Astrofísica. “A previsão é que um Projeto Piloto do curso já esteja pronto em 2011”, informa.

De acordo com Elysandra, a intenção é oferecer um curso de excelência, que não tenha fronteiras, por isso oferecê-lo a distância. “Se fosse presencial, iria demorar mais, e também excluiria professores que moram longe dos grandes centros”, comenta. Cada uma das 27 instituições que formam o INCT de Astrofísica servirá como um pólo regional de ensino. Segundo a pesquisadora, o curso está sendo planejado para oferecer todos os recursos tecnológicos possibilitados pela educação a distância, lembrando que nem todas as escolas públicas têm acesso a banda larga. “Queremos oferecer um curso que, basicamente, poderá ser acompanhado via internet discada, com o mínimo de uso de banda larga”, comenta.

A pesquisadora conta que será oferecido um curso de aperfeiçoamento que totalize 210 horas. “Essas 210 horas serão distribuídas em 7 módulos: Uma Visão Geral de Astronomia, O Planeta Terra, Sistema Solar, Estrelas, Nossa Galáxia, As Galáxias e, finalmente, O Universo. Cada um desses módulos terá duração de 3 semanas, com dedicação de 10 horas por semana (aulas e estudo). Ao final de cada módulo o professor receberá um certificado. Cada módulo abordará, no máximo, 15 conceitos importantes de cada tópico, sempre considerando os PCNs.”

Além de Elysandra, os outros cinco pesquisadores que são responsáveis por esta parte do projeto são os seguintes: Maria de Fátima Oliveira Saraiva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS); Newton Figueiredo, da Universidade Federal de Itajubá (MG); Vera Martins, da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA); Carlos Maximiliano Dutra, da Universidade Federal dos Pampas (RS); Jules Soares, da Universidade Estadual de Santa Cruz (BA). Além desses pesquisadores, o grupo conta com o trabalho de consultoria da doutora Marisa Cassim, que já ocupou cargos tanto no Ministério da Educação (MEC), como no CNPq e no MCT. O comitê de ensino e divulgação do INCT de Astrofísica é coordenado pelo professor Augusto Daminelli, do IAG.

Fonte: Assessoria de Imprensa da USP

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