Cresce gasto com educação corporativa 

Por Cristina Salvadeo em 6 de outubro de 2010
Este foi o título de uma reportagem do jornal Folha de São Paulo. A matéria está baseada na pesquisa da professora Marisa Éboli (FEA/USP), cujo resultado aponta que cada companhia gasta cerca de R$ 11 milhões anuais em treinamento, o que significa uma média de R$ 1.586 por empregado.

Leia a matéria na íntegra:

O mineiro Márcio de Jesus, 38, diretor da Algar Telecom em Franca, interior de São Paulo, passa pelo menos duas semanas do mês em viagens para reuniões com parceiros e funcionários no oeste paulista. Apesar da agenda atribulada, durante uma semana por mês, Jesus troca as salas de reunião pelas salas de aula para treinamentos corporativos, rotina que se repete mesmo depois de cursar um MBA numa escola tradicional de negócios de São Paulo. "Já nos acostumamos à cultura de separar alguns dias para os cursos", diz.

Os treinamentos são aplicados pela UniAlgar, centro de ensino do Grupo Algar em Uberlândia (MG). Por ano, são formados 5.000 funcionários, com investimentos de R$ 8,5 milhões. O Grupo Algar não representa um caso isolado. Iniciativas de educação corporativa cresceram muito ao longo da última década. "Enquanto no Brasil na década de 90 apenas 10 empresas tinham iniciativas do tipo, hoje elas chegam a 400", diz Marisa Éboli, especialista em educação da FEA-USP. São empresas como Petrobras, Votorantim, Natura, AmBev e GE, que buscam capacitação em disciplinas como gestão de pessoas, plano de negócios, formação de lideranças e melhora de processos internos.

Os cursos também servem para adicionar alguns requisitos técnicos aos funcionários, como no caso da Ernst & Young, que criou sua universidade em 2007. A empresa conseguiu aprofundar o treinamento de contabilidade internacional, aplicada de forma superficial pelas escolas de negócios brasileiras.

CURSO SOB MEDIDA
Em levantamento realizado com 54 companhias no Brasil, a professora Marisa Éboli identificou que a maioria dos investimentos vem de empresas nacionais, privadas e com faturamento acima de R$ 1 bilhão.

Os modelos de cursos são divididos entre educação presencial e à distância e, em média, cada companhia investe anualmente cerca de R$ 11 milhões em treinamentos, o que significa R$ 1.586 por funcionário. "A origem dos cursos é variada. Pode nascer internamente - a partir de uma necessidade pontual de negócios- ou de forma externa, a partir de parceiros de negócios ou fornecedores", afirma a professora. Foi o que aconteceu com a Bematech, empresa do ramo de sistemas para automação do varejo. A companhia criou em 2003 a Universidade Bematech, coletânea de cursos para capacitar revendedores e redes de assistência técnica. Três anos depois, abriu os treinamentos para os funcionários internos.

Embora muitas adotem o rótulo de "universidades corporativas", nem todo treinamento pode ser classificado dessa forma. "Apenas sistemas de desenvolvimento pautados em competências específicas e permanentes", diz Éboli.

Treinamento também supre deficiências da formação básica

DE SÃO PAULO

Enquanto os sistemas educacionais corporativos nasceram nos EUA para suprir necessidades estratégicas de qualificação, no Brasil assumiram também a tarefa de formação básica. "Elas acabam suprindo lacunas deixadas pelas deficiências do sistema formal de ensino", diz Marisa Éboli, professora da FEA-USP.

Alguns dos exemplos estão nos treinamentos da Atento, empresa de atendimento ao cliente com 75 mil funcionários no país, 50% deles jovens de até 25 anos. "Para a maioria, esse é o primeiro emprego e são aplicados desde cursos sobre comportamento no ambiente profissional até aulas de português", diz João Pasqual, diretor de pessoas.

Os treinamentos chegam a cem horas para os iniciantes e buscam também corrigir vícios de linguagem para o atendimento por telefone e envio de mensagens em nome de clientes da Atento. Até o fim do ano, a empresa deve mais que dobrar o volume registrado em 2008, chegando a R$ 16 milhões.

Especialistas apontam como modelo ideal de educação corporativa a General Electric. Desde 1956, ela mantém um campus de 200 mil metros quadrados, onde forma seus líderes. Os professores vêm de universidades como Pennsylvania, Columbia e Harvard, que viajam o mundo para aplicar os treinamentos. Na América Latina, a GE deve formar 2.300 pessoas neste ano. (CF)

Fonte: Camila Fusco - Folha de São Paulo

1 comentários:

Infelizmente o título da matéria trouxe a palavra "gasto", deveria ter utilizado "investimento". Explico: a primeira traz um ranço negativo, enquanto a segunda implica em reaver, futuramente, o que foi dispendido. E isso (reaver futuramente o que foi investido) é exatamente o que as empresas esperam dos seus funcionários.

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