Hospital investe em programa de telemedicina

Por Cristina Salvadeo em 3 de junho de 2009
O Ceará está prestes a contar com mais uma importante novidade tecnológica em saúde. O Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara está buscando financiamento para o Programa de Telessaúde da unidade para Desenvolvimento de Pessoal e Tecnologia em Saúde. O hospital deve ser o primeiro do Estado a contar com uma estrutura tão completa na área de telemedicina.

A previsão é de que, a partir de outubro deste ano, o programa comece a sair do papel, com as primeiras aulas a distância. Conforme projeto desenvolvido pela unidade, a idéia é trabalhar em três momentos. O primeiro deles é a capacitação profissional e a formação de multiplicadores no programa, o segundo, tem foco na gestão a distância e, por último, a prestação de serviços.


Com a ampliação da área de telemedicina e investimentos, vai ser possível, a distância, analisar exames de imagem, aprimorar a regulação de leitos, realizar capacitações, gerir unidades, monitorar sinais vitais de pacientes em unidades de terapia intensiva (UTIs) e até orientar procedimentos cirúrgicos mais complexos.

Dessa forma — entende o diretor geral da unidade, João Batista Silva —, problemas antigos da saúde cearense e principais motivadores da iniciativa, como a escassez de recursos e de profissionais especializados no Interior, a superlotação das unidades de saúde de alta complexidade da Capital com pacientes vindos dessa região do Ceará e as dificuldades na troca de informações em saúde podem desaparecer.

Sala master

Dario Frota, diretor de planejamento da Pleimec, empresa que está prestando consultoria técnica ao hospital para o desenvolvimento dessa tecnologia, explica que o sistema é composto, basicamente, por uma sala master e outras de recepção. A ser instalada no hospital e responsável pela geração de conteúdo, a sala master conta com equipamentos de videoconferência — composta por câmera e codec, uma espécie de CPU com a função de processar e compactar áudio, vídeo e conteúdo.

Além disso, uma câmera de documentos, que permite a visualização, a distância, e conseqüente análise de exames, como tomografia, ressonância magnética e raio X.

Fazem parte também a lousa interativa, com o intuito de proporcionar a exploração de recursos multimídia a aulas a distância (por exemplo, imagem sensível ao toque) e monitor cardíaco, para o monitoramento de sinais vitais de pacientes em UTIs localizadas a quilômetros dali.

“Já pensou poder dissecar animais ou seres humanos sem cadáveres reais e sangue, apenas com o uso do toque de um indicador?”, cita, Dario, um exemplo do que a sala master vai permitir em termos de avanço para o ensino a distância. Nas salas de recepção, equipamentos de videoconferência e, como opção para potencializar ainda mais a comunicação, a lousa interativa, além de mesas e cadeiras, que as salas de aula comumente têm, e sistema de ar condicionado, para a manutenção de toda a estrutura. Um link de internet, a fim de garantir a velocidade contratada, fecha os recursos necessários. Para a instalação de uma sala master e uma de recepção, são necessários em torno de R$ 240 mil.

Parcerias

“Vamos captar esse investimento em organizações de fomento ao desenvolvimento tecnológico. Atualmente, estamos pleiteando com o Banco do Nordeste”, adianta João Batista Silva. Parcerias com instituições, como a Universidade de Fortaleza (Unifor) e a Escola Paulista de Medicina, já estão em andamento para a troca de conhecimentos entre alunos, professores, médicos e demais profissionais.

“Podemos, inclusive, facilitar o intercâmbio de informações com centros de referência em qualquer parte do mundo, assim como permitir o tira-dúvidas e o acompanhamento entre cidades, estados e até países de cirurgias bem mais complexas”, acrescenta o diretor do Waldemar Alcântara.

AINDA EM ANÁLISE
Secretaria da Saúde prefere cautela

O secretário executivo da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Arruda Bastos, disse que a iniciativa do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara está em análise pelo órgão. “Qualquer coisa nova tem de ser discutida e estudada dentro das possibilidades da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado, para que possamos empregar os recursos da melhor forma possível”.

De acordo com Arruda Bastos, a possibilidade de um reajuste no contrato de gestão do hospital — já bastante ampliado por outras razões, segundo o gestor — para que os serviços pretendidos pelo Programa de Telessaúde do HGWA para Desenvolvimento de Pessoal e Tecnologia em Saúde sejam prestados não é uma decisão a se tomar de uma hora para outra, muito menos sem outras concordâncias.

“Como se trata de educação à distância também, precisamos ouvir o Ministério da Educação, além do da Saúde”, explica Arruda Bastos.

“Precisamos ver, por exemplo, se o sistema é compatível com o que já temos; como está a questão de orçamento; de repente, pleitear alguma coisa com o próprio Ministério da Saúde. Enfim, são coisas a se pensar”, completou Arruda Bastos. Ainda de acordo com ele, o sistema de telessaúde já usado pela Secretaria pretende incluir mais 30 municípios entre os beneficiados. Entre as possibilidades do sistema, troca de conhecimentos em Estratégia de Saúde da Família.

A primeira das três etapas do projeto desenvolvido pelo Waldemar Alcântara trata da capacitação profissional e a formação de multiplicadores. “Aprender a ministrar aulas via videoconferência, formatar projetos de formação continuada etc”, exemplifica o diretor da unidade, João Batista Silva.

Num segundo momento, pretende-se focar na gestão à distância, quando planejamento estratégico, resolução de problemas, comparação de resultados, entre outros, podem ser desenvolvidos sob a fiscalização de uma auditoria física. Por último, com a prestação de serviços, será possível “facilitar segunda opinião para laudos médicos, cirurgias teleguiadas, monitorar respiradores mecânicos em UTIs, analisar eletrocardiogramas e eletroencefalogramas, trocar idéias com profissionais de outros municípios, estados ou países, simular cirurgias para uso acadêmico, multiplicar o número de aulas de práticas cirúrgicas sem que tenha de se aguardar por cadáveres etc”, cita como algumas das possibilidades.

ESTRUTURA

O programa é composto, basicamente, por uma sala master e outras de recepção. Para fechar toda a estrutura, um link de internet

SALA MASTER

Responsável pela geração de conteúdo. Conta com os seguintes recursos:

- Câmera de documentos. Permite a visualização e análise de exames, como tomografia, ressonância magnética e raio X

- Lousa interativa. Proporciona a exploração de recursos multimídia

- Monitor cardíaco. Para o monitoramento de sinais vitais de pacientes em UTIs a quilômetros da sala

SALAS DE RECEPÇÃO

Como o próprio nome sugere, para recebimento de dados. São compostas, cada:

- Equipamentos de videoconferência, lousa interativa (opcional), mesas, cadeiras, computadores, sistema de ar condicionado

Ludmila Wanbergna
Repórter
Fonte: Diário do Nordeste

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