A força educacional da internet

Por Cristina Salvadeo em 3 de março de 2009
Como levar o ensino para os cantos mais distantes do País sem a ajuda da educação à distância, popularmente conhecida por EaD? Já é ponto pacífico que, para isso, é indispensável o concurso dessa modalidade de aprendizagem, adotada desde meados do século 19 por agricultores europeus interessados em aprimorar práticas de produção e que chegou ao Brasil quase na virada do século 20, com os cursos de datilografia por correspondência.

Hoje não há mais dúvida: técnica e teoricamente, um estudante do longínquo Oiapoque pode, com um simples clique no mouse, ter acesso aos mesmos cursos freqüentados por alunos das mais conceituadas escolas do País. Além disso, não há estratégia melhor para estimular ou despertar o interesse dos jovens pelo aprendizado do que as aulas ministradas no ambiente virtual, onde mais se sentem confortáveis - pesquisa do Ibope revela que o internauta brasileiro passou em média 24 horas e 54 minutos conectado à rede, nas férias de julho.

Convencido da função social da EaD, o Ministério da Educação (MEC) vem sinalizando com propriedade para a necessidade da sua consolidação, até com possibilidades de parcerias internacionais para um futuro próximo. O governo paulista já aderiu à inovação e anunciou, em julho último, um sistema de ensino de graduação à distância, envolvendo as três universidades estaduais paulistas - USP, Unesp e Unicamp - e a criação de mais de 6 mil vagas em 2009.

Mas, e a questão da qualidade, fundamental para quebrar preconceitos e resistências? O MEC também já começou a supervisionar a estrutura das instituições que viabilizam cursos pela internet e, na semana passada, apontou vários problemas em quatro dos maiores centros de educação superior que oferecem essa modalidade de ensino, numa postura irretocável para disseminar essa prática, com proteção ao aluno.

Além dos cursos de graduação, a internet é um instrumento que facilita o acesso a cursos de formação, de desenvolvimento profissional e de educação continuada, hoje indispensáveis para garantir o ingresso ou a manutenção de um bom estágio ou emprego. Interpretando a necessidade do desenvolvimento e sempre apoiando as novas tecnologias que podem ajudar os jovens na sua formação profissional, o CIEE desde 2005 oferece cursos à distância de reciclagem, capacitação profissional, desenvolvimento pessoal e formação cidadã. Todos os 23 módulos oferecidos são gratuitos e de fácil acesso pelo portal do CIEE, tanto que até o final de 2008 a estimativa é contabilizar um total 400 mil matrículas.

As aulas lançam mão de recursos interativos e são formatadas para preparar o jovem para processos de seleção de estágio ou emprego e ter um melhor desempenho após sua contratação. É importante destacar também o excelente trabalho da monitoria de apoio, que conta com tutores contatados por meio de e-mails e chats a qualquer momento para esclarecer dúvidas.

Por tudo isso e com o respaldo dos resultados obtidos por nossos alunos de EaD, o CIEE acredita que a educação à distância é indissociável do futuro, graças ao imenso poder da internet em encurtar distâncias, reduzir as desigualdades de oportunidades e, assim, ajudar a corrigir as centenárias distorções que marcam a educação brasileira. Essa, com certeza, será uma das principais diretrizes a orientar os trabalhos do 3º Encontro CIEE-Abed de Ensino à Distância, marcado para a próxima quinta-feira, no Teatro CIEE (Rua Tabapuã, 445, Itaim-Bibi).

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9)(Luiz Gonzaga Bertelli - Presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e diretor da FIESP.)

Fonte: Gazeta Mercantil

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