Veja como evitar roubadas na escolha do curso a distância

Por Cristina Salvadeo em 6 de novembro de 2009
Recentemente o Portal R7 publicou uma reportagem de Amanda Polato com dicas de como evitar roubadas ao escolher um curso que será ministrado na modalidade a distância.
Leia o texto puiblicado no R7:

A quantidade de cursos universitários a distância não para de crescer: em apenas um ano, a matrícula no país dobrou, segundo dados da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância). Mas é preciso cuidado na hora de escolher a graduação.

Gilberto Machado Freire é aluno matriculado no curso de licenciatura em turismo a distância do Cederj (Centro de Educação a Distância do Estado do Rio de Janeiro), que é uma parceria entre o governo do Estado e universidades públicas. Ele escolheu o curso justamente por ser em uma instituição pública que é referência de qualidade – o estudante irá receber o diploma pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro:

- A proposta é muito interessante. Tenho encontros semanais com tutores que esclarecem minhas dúvidas, posso ainda fazer perguntas pela internet ou usando um telefone do tipo 0800.

No entanto, segundo ele, existem algumas dificuldades:

- No começo do ano, tivemos problemas com a plataforma [uma espécie de site] do curso, mas agora está resolvido. Às vezes, o material didático também demora a chegar. Fica claro que a universidade tem que ser muito bem organizada para que um programa como esse dê certo.

Stela Bertholo Piconez, professora da Faculdade de Educação da USP e especialista em ambientes virtuais de ensino-aprendizagem, recomenda sempre verificar no site do MEC (Ministério da Educação) quais cursos são aprovados e autorizados.

- Caso contrário, é fria arriscar e confiar nas promessas das propagandas.

Confira cinco dicas para escolher o curso:
1. Atenção ao perfil de aluno exigido

Os cursos a distância são voltados para pessoas sem acesso fácil a alguma universidade ou para quem trabalha e faz outras atividades que dificultam a frequência a aulas presenciais.

Para o professor Gil da Costa Marques, professor do Instituto de Física da USP, coordenador de Tecnologia da Informação da USP e membro do conselho da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), as características de um bom aluno de graduação a distância não são muito diferentes das de um estudante de curso presencial: ter boas doses de concentração e responsabilidade. No entanto, o online é mais indicado para quem consegue estudar bem sozinho.

A professora Stela Piconez, da Faculdade de Educação da USP, conta que os alunos mais jovens e que não trabalham desistem mais facilmente, porque a motivação fica prejudicada em razão do não contato permanente com seus professores. Não conseguem se auto-disciplinar e muitas vezes abandonam os cursos.

2. Avalie os prós e contras de fazer a primeira graduação a distância

De acordo com Marques, ainda não existem muitos resultados comprovando a eficácia dos cursos de graduação a distância e não é possível saber, ao certo, se há grandes perdas para quem opta por essa modalidade. O professor recomenda fazer a primeira graduação a distância só se você tiver muitos impedimentos para cursar algo presencial – se mora em uma cidade sem universidades, ou muito longe de uma, ou ainda se tem dificuldades para conciliar o trabalho e outras atividades com as aulas presenciais.

Já a professora Stela não vê como fazer uma primeira graduação a distância pode afetar o desenvolvimento profissional. Segundo ela, é sempre interessante dar continuidade aos estudos. Mas ela lembra que estudar a distância envolve compromisso com o curso e a rede de relacionamento construída.

3. Parte do curso deve ser feita presencialmente

A legislação diz que cursos de graduação a distância devem ser, pelo menos, 20% presenciais. Isso quer dizer que 20% da carga horária deverá ser cumprida em um polo da universidade, que precisa ter biblioteca, computadores, tutores, material impresso didático, entre outros recursos.

Algumas carreiras podem ter um percentual maior. Um curso de matemática, por exemplo, pode cobrar a frequência mínima. Mas um de física, que requer uso intensivo de laboratórios, pode pedir para os alunos irem mais vezes ao polo da faculdade.
O MEC, em suas diretrizes para educação a distância, não aprova cursos de graduação como os de medicina e odontologia, que têm grande carga horária prática, nessa modalidade.

4. Descubra se há opções nas universidades públicas

Das 145 instituições que oferecem cursos de graduação a distância, cerca de 70 são públicas. É uma boa opção para quem não tem condições para pagar a faculdade.

No Estado de São Paulo, alguns cursos estão sendo pensados pelo Programa Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Fazem parte do programa as três grandes públicas do Estado: USP (Universida de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp. Um dos cursos, o de pedagogia, será oferecido pela Unesp, irá começar já no primeiro semestre de 2010.

No Estado do Rio de Janeiro, há o Cederj (Centro de Educação a Distância do Estado do Rio de Janeiro), que é uma parceria entre o governo do Estado e as universidades públicas do Rio: UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro), Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), UFF (Universidade Federal Fluminense), UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro).

O MEC criou um sistema que articula instituições para o ensino a distância gratuito - a UAB (Sistema Universidade Aberta do Brasil). Em geral, é preciso fazer vestibular para conseguir uma vaga.

5. Cheque a qualidade antes de se matricular

Ainda não há muitos instrumentos para checar a qualidade dos cursos de ensino superior a distância. Alguns já têm participado de edições do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), do MEC, o que pode ser um bom indicador. Vale também analisar o prestígio da instituição. Não é regra, mas, de forma geral, pode ajudar ver se os cursos presenciais são bons e reconhecidos.

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